Já comentei aqui o quanto gosto de comida árabe. Por ser descendente, por que minha mãe aprendeu com a família do meu pai e eu com ela, por ser simples e ao mesmo tempo deliciosa.
Sempre que faço quibe e outros pratos árabes, penso que, assim como a culinária italiana, a cozinha árabe também pede uma mesa cheia de gente contente, muitas risadas, conversas...
O molho de tahine também é uma lembrança, meu pai sempre fazia lá em casa, e hoje justamente quatro meses depois que ele passou para o lado de lá, esta receita ficou com sabor de saudade.
Espero que você faça e divirta-se comendo com sua família.
Para começar, separe 500g de trigo para quibe. Lave bem em água corrente e deixe de molho por duas horas, bem coberto de água.
Depois desse tempo, escorra numa peneira e esprema dentro de um pano (ou nas mãos mesmo) a fim de retirar o máximo de água possível. Reserve.
No liquidificador, bata uma cebola grande, uma xícara de azeite (eu não tinha aquele azeite libanês fantástico do empório sírio da Abdo Chaim, então fui de óleo maria mesmo...suprema heresia!!), acrescente sal, pimenta síria (caiena) se gostar, um tantão de alho, e temperos que você tiver e gostar. Eu fui só de orégano. Se quiser dar um sabor exótico sem o picante da pimenta, use uma colher de sobremesa de canela em pó. Se gostar de hortelã, pode colocar também. Eu não tinha, mas fica ótimo. Reserve um pouco picadinha para salpicar depois, também.
Bata bem até ficar cremoso.
A seguir, numa bacia grande, coloque o trigo escorrido e espremido, o tempero batido e a carne. A proporção é de 500g de trigo para um quilo de carne moída. Eu usei patinho.
A seguir, mão na massa.
Depois de amassar bem, a mistura deve ficar homogênea. Coloque em uma forma untada com óleo.
Aqui é o pulo do gato. Umedeça as mãos e alise bem o kibe, apertando suavemente. Você vai precisar molhar as mãos várias vezes. Não deixe ensopar, claro. Mas não se preocupe, esta umidade vai secar no forno. A seguir, molhe uma espátula de madeira ou um pão duro em água e contorne toda a volta da assadeira. A cada duas ou três entradas da espátula, torne a molhar. Assim:
A seguir, molhando a espátula ainda, quadricule todo o quibe. Faça linhas verticais e horizontais do tamanho que julgar melhor. Isso vai facilitar o processo de cozimento e na hora de servir você vai ter lindos quadrados certinhos sem precisar ficar cortando. Assim:
E assim:
Quadricule a assadeira inteira.
Agora o pulo do gato 2: coloque pedacinhos de manteiga em cada uma das junções dos cortes feitos.
Pode parecer muito, mas acredite, faz toda a diferença por que deixa a carne muito macia.
Seu kibe está pronto para ir ao forno. Cubra com papel alumínio e asse por meia hora, quarenta minutos, em forno pré-aquecido, a 180C.
Depois desse tempo, você deve ter mais ou menos isto:
Repare que a manteiga derreteu, e as junções entre um corte e outro estão ligeiramente esbanquiçadas. Isso quer dizer que a manteiga entrou bem dentro da massa. Aproveitei para sapecar umas sementinhas de gergelim que eu tenho para colocar no pão. Veja aqui mais de perto:
Agora, retorne ao forno, sem cobrir, aumentando a temperatura para dourar bem. Deixei mais 30 minutos a 220C.
O resultado foi este:
Para acompanhar, arroz com grãos integrais, salada e...esqueci! O tahine!!
Tahine nada mais é do que uma maravilhosa pasta de gergelim, eu costumo comprar essa aí de cima. que é a marca mais conhecida e fácil de achar. Não é muito barato, em compensação, dura pra chuchu e vai bem com tudo, então acho que vale o investimento. Não lembro quanto paguei, você encontra nas lojas de produtos árabes.
Para preparar, muito fácil. Numa tigela ou prato, esprema um limão e coloque duas colheres de sopa de tahine. Acrescente sal, e água aos pouquinhos. Mexa com fé que vai ficar assim:
Aí em cima você nota que a pasta de tahine é quase sólida, mas misturando bem fica um molhinho bem leve e fluido.
Agora sim, posso apresentar o resultado final:
Macio, saboroso, comida de "sustância"! A horda de hunos, hoje desfalcada por que a Fefê estava na vó, aprovou!
Regue com bastante azeite, amor e carinho, muitas risadas e bom apetite!!
Agora fala que você não sabe fazer quibe, ora!!! Se for um dia "chique", você pode acrescentar em cima do quibe na hora de dourar: nozes trituradas, amêndoas em lâminas levemente tostadas, ou pinoles. Para acompanhar essa "chiqueza" toda, um belo homus (pasta de grão de bico), um tabule (que eu já postei
aqui), e com certeza, uma beringela. Ah, arroz pilaf também é muito chique!! Pode ser arroz marroquino também, como eu coloquei
aqui.
Um beijo, pai, aonde você estiver. Ah, guardei um pedaço pra você também.